E, como não poderia deixar de ser, por que é que quando você está carente, precisando de colo, aquela pessoa não aparece? Ou pior, aparece alguém que você não quer, alguém que não pode se comprometer porque já tem compromisso, ou aparece justamente aquele cara que vai te fazer sofrer e, mais uma vez, vai te fazer desejar ficar sozinha?
Essa parece ser a história da minha vida.
Não posso reclamar, pois já vivi duas histórias de amor tão sinceras, intensas e felizes que poderiam me preencher para o resto da vida. Tem gente que vai viver uma vida inteira sem experimentar nem metade de tudo isso o que eu senti.
Infelizmente, ou felizmente, não podemos viver apenas de memórias. É preciso o contato físico, o calor...
Mas, ainda assim, acabamos em algum momento optando pela solidão. Por quê?
Tem gente que vai discordar de mim dizendo que a opção não foi pela solidão, mas sim por um tempo sozinha. Mas tenho que admitir que nenhuma mulher é feliz sozinha. Você pode ter centenas de amigos, mas nunca será completa sem aquela pessoa especial. Você pode sair com uma pessoa diferente todas as noites, mas é tudo muito superficial. Onde está o companheirismo, a cumplicidade, o carinho, a paixão que nos envolve e nos motiva?
Ter alguém a quem amar é como tomar uma pílula diária que contém ingredientes mágicos. Você acorda mais feliz, releva mais as coisas, se encanta mais fácil, tem mais disposição, fica mais leve e feliz.
Claro que a vida a dois não é um mar de rosas, mas é melhor passar por problemas a dois do que passar por tudo sem ter ninguém. Viver uma vida a dois é bom até porque você tem alguém para brigar e fazer as pazes de uma forma mais especial do que com um amigo...
Mas, ainda assim, insistimos em ficar sozinhas.
Não que haja problema em dar um tempo, curtir um pouco, se recolher... esse tempo até é muito bem vindo e muita gente deveria experimentar. O problema é que, com o tempo, esse tempo passa a ser muito tempo.
E você já se acostumou! E você já alimentou o medo de se envolver novamente e sofrer mais uma vez.
Nas suas confissões mais secretas você revela que sente falta do amor, do turbilhão que é se apaixonar. Mas o medo acaba sendo maior.
Você também passa a ter uma certa vergonha de revelar que está cansada de ficar só e que não consegue arrumar uma boa companhia... Em bom português, você tem é vergonha de ser chamada de encalhada. Isso acaba ferindo lá no fundo, porque sabemos a razão de estarmos sozinhas...
De uma forma meio que natural, acabamos por nos enganar, dizendo para os outros e tentando nos convencer de que não queremos ninguém, que somos felizes assim, que namorado dá trabalho, que não temos paciência, que primeiro queremos nos estabilizar na carreira, etc., etc., etc.
São tantas desculpas para disfarçar a tristeza que nos acompanha. Tentamos nos mostrar fortes e, por isso, nos é cobrado cada vez mais força. Só que não a temos...
Às vezes nos mostramos indiferentes, bravas, auto-suficientes para espantar aqueles que possam nos fazer desmontar e nos entregarmos de cabeça. Ou, tentando provar que não é aquela pessoa fria que demonstrou ser, se envolve em relações vazias...
Uma hora as pessoas realmente se afastam. Ninguém quer ter por companhia uma pessoa fria e calculista sem sentimentos, que não deixa ninguém se aproximar, que não é amável.
Com isso, você também se afasta das pessoas, desesperada por ninguém te enxergar de verdade. Você acaba se afastando de você mesma, contrariando aquilo que é a sua essência. Nós mulheres nascemos com o dom de amar e de nos permitir ser amadas.
Mas um dia alguém te enxerga, bem no fundo da sua alma. Vê até o que você já não conseguia mais perceber. Desperta sentimentos que você já imaginava não sentir. Essa pessoa te diz tantas verdades que doem como um tapa na cara. Você se sente despida e frágil.
Você percebe o quanto perdeu sendo assim, mas não sabe mais como retomar o caminho.
Aceita se envolver com alguém sem realmente desejar, para ver se acaba dando certo, enganando essa pessoa e, principalmente, a você mesma! Não se força um sentimento! De repente você percebe que está fazendo com alguém aquilo que você mais teme que façam com você. Aí você quer voltar atrás. Mas já é tarde! Você pode ter magoado essa pessoa.
Frágil, você acaba se apoiando em pessoas erradas, aquelas que sabem bem tirar proveito dessa situação (conscientes ou não). Ou então, se isola novamente na sua bolha invisível.
E isso acaba se tornando um círculo vicioso e perigoso.
Mas como fazer para andar em linhas retas?
Ainda estou procurando essa resposta...
Enquanto isso, sigo tentando não completar este círculo.