Sempre achei isso muito tentador, mas sempre estive um passo a frente da tentação. Até que hoje ela me alcançou! Muitas lembranças, boas e ruins.
Uma delas, escrita há muitos anos, me tocou muito. Não era uma carta recebida, mas uma deixada de enviar. Era uma carta de amor... um trecho me chamou muita atenção, não sei exatamente o porquê, pois hoje em dia mais me parece uma dessas cartas cafonas que a gente escreve quando se está apaixonada. Talvez seja exatamente por isso que ela sempre permaneceu comigo, nessa caixa abandonada... Aí vai:
"... Você pode ser o rosto que eu não esquecerei, um traço de prazer ou de arrependimento, talvez meu tesouro ou o preço que tenho que pagar. Você pode ser a música que o verão nos cantou, talvez o frescor que o outono deixou, ou mesmo centenas de outras coisas..."
"... No espaço de um dia, você pode ser a bela ou a fera, a fartura ou a fome. A cada dia pode se transformar num paraíso ou num inferno. Você pode ser o espelho do meu sonho, um sorriso refletido na água. Também pode não ser o que parece ser dentro dessa sua 'concha'..."
"... Você sempre parece tão feliz na multidão, com os olhos tão pessoais ou tão orgulhosos... mas que não podem ser vistos quando choram..."
"... Pode ser o amor que não se espere que dure! Pode vir para mim como sombras do passado, que me lembrarei até o dia em que eu morrer. Você deve ser a razão para que eu sobreviva, o motivo de eu estar viva... de quem eu cuidarei na alegria e na tristeza. Eu acolherei o seu riso e suas lágrimas e os guardarei como minha peça mais rara! Por onde você for eu tenho que estar..."
Michelle Franco.
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