22 de jun. de 2010

Um conselho...

Conta uma lenda indígena que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda de um velho feiticeiro da tribo e pediram:

- Nós nos amamos e queremos ficar juntos. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho, emocionado, ao vê-los tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Há o que possa ser feito: Nuvem Azul deves, apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida. E tu, Touro Bravo, deves caçar, também, apenas com uma rede, a mais brava de todas as águias e trazê-la para mim, viva!

Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão.

E o feiticeiro postou-se na frente da tenda para esperar os dois amantes com as aves.

O velho constatou que eram verdadeiramente os formosos exemplares que ele havia pedido e ordenou:

- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Soltem-nas amarradas para que voem livres.

Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno.

Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de voar, as aves se atiraram uma contra a outra, bicando-se até se machucarem.

E o velho disse:

- Jamais esqueçam o que estão vendo, este é o meu conselho.

Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a ferir um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.

Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas.

24 de fev. de 2010

Oração dos Paulistanos


Em decorrência das chuvas contínuas e devastadoras que estão desabando sobre São Paulo, cansei de me estressar comentando as consequências terríveis, como trânsito, alagamento, etc, e fiquei com vontade de fazer uma brincadeirinha, elaborando uma oração para os paulistanos.

Me inspirei em brincadeiras já feitas aos estudantes, paraquedistas, bêbados, etc.

Procurei no "Google" para ver se já existia alguma, mas não encontrei. Assim, me senti à vontade de elaborar uma, sem ser acusada de plágio.

Fiquem à vontade para usá-la, caso gostem! Só não se esqueçam de colocar o nome da autora (o meu no caso! rs).

Apesar de nós brasileiros gostarmos de fazer piada de tudo, não podemos nos esquecer que essas chuvas têm representado uma tragédia, com mortes de centenas de pessoas, perdas materiais, sonhos, etc.

Apesar de ninguém ter culpa da chuva cair, nossos políticos deveriam usar melhor o erário e investir mais na limpeza da cidade, infra-estrutura, etc, mas principalmente em educação, para o povo aprender a não jogar lixo na rua e a cuidar da nossa cidade.

Enfim, é isso. Espero que gostem!



Oração dos Paulistanos


Chuva nossa que estais no Céu

Moderadas sejam vossas gotas

Não venha a nós o dia inteiro

Sejam breves as tempestades

Não caia na Terra, fica no Céu

O trânsito nosso de cada dia não aumentai hoje

Perdoai as nossas sujeiras

Assim como perdoamos os nossos metereologistas

Não nos deixei sair sem guarda-chuva

E nos livrai de todo alagamento

Amém.

(Michelle Franco)

24 de jul. de 2009

Não sei...

Hoje eu sonhei com você. Acordei com anseio de amar.

Não lembro exatamente quem é você. Acho que nem te conheço. Mas você faz parte de mim. Sempre fez.

Talvez você seja eu. Aquela parte de mim que escondi há tanto tempo que nem lembrava que existia. E que tenho medo. Talvez não seja nada, ninguém.

No sonho você representava o amor. Mas não esse amor carnal que costumamos sentir... era algo que transcende a qualquer sentimento... mais parecia uma amor fraterno, que acalma, alivia, dá esperança... será você meu anjo da guarda?

São "engraçados" esses sonhos... Eles permanecem. Insistentemente eles permanecem. Não sei se gosto, pois agora, ele não tem mais a força... agora ele é só saudade. E essa saudade sufoca, pois você quer lembrar de algo que não aconteceu, de alguém que você nunca teve, quer viver o que não é possível de se viver. O bom da saudade é alimentar a emoção do reencontro... mas apenas quando ele é possível. Senão, a saudade passa a ser pra sempre, até morrer - você ou ela.

Neste momento você se tornou pontos de reticência, talvez por culpa minha... o meu medo pode ter te impedido de continuar. Não sei o que faço desse sentimento que me toma, porque nem ao menos sei o que ele é.

Só sei que fiquei com vontade de amar.

Vontade de Amar

Encontrei esse texto na internet e simplesmei me identifiquei demais com ele...

"Dizem que por amor a gente muda; quisera eu uma única vez que o amor pudesse mudar. Que a simplicidade de amar voltasse à idéia inicial; que a vulgarização do belo não se tornasse essa vontade de amar.
O amor cai no coração desse todo; o todo me incomoda. É ridículo o amor da massa; me faz enojar.
Quisera eu o amor do antigo; do velho. A simplicidade como forma de simplicidade; o gesto como a perfeição do momento. Ah! É desse amor que falo. É desse amor que quero. Não o mesmo que todos sentem e dizem amar. Não! Não é esse amor. Te amo se tornou comum; os sorrisos se tornaram vulgares. Não! O amor não quer ser amado assim.
Então que acabe o amor e recomece uma vez mais. A primeira vista seja pra todo sempre; a despedida seja somente no fim. E que todo sempre nunca venha acabar. O amor é eterno; muito maior que qualquer sonhar.
Que todo ato de sentimento seja completo, e nenhuma palavra complete o que faltar. Faça-me o amor! Seja o amor também! Um braço só não consegue abraçar; uma boca só não pode beijar.O amor exige mais! Quer mais! Não há promessas, muito menos perdões.
O coração é grande, então não o torne pequeno. Não despreze o que é perfeito; o que faz realmente amar. Se não podes voar, não empeça os outros de tentar.
O amor exige asas, e é com verdadeiro amor que se consegue voar.
Digo que mudaria por amor se o amor pudesse mudar, e voltasse a ser realmente amor e não essa vontade de amar". (Meck)

14 de jun. de 2009

Lembranças

Outro dia estava arrumando o quarto e encontrei minha caixa de cartas. Não quis abrir.

Sempre achei isso muito tentador, mas sempre estive um passo a frente da tentação. Até que hoje ela me alcançou! Muitas lembranças, boas e ruins.

Uma delas, escrita há muitos anos, me tocou muito. Não era uma carta recebida, mas uma deixada de enviar. Era uma carta de amor... um trecho me chamou muita atenção, não sei exatamente o porquê, pois hoje em dia mais me parece uma dessas cartas cafonas que a gente escreve quando se está apaixonada. Talvez seja exatamente por isso que ela sempre permaneceu comigo, nessa caixa abandonada... Aí vai:

"... Você pode ser o rosto que eu não esquecerei, um traço de prazer ou de arrependimento, talvez meu tesouro ou o preço que tenho que pagar. Você pode ser a música que o verão nos cantou, talvez o frescor que o outono deixou, ou mesmo centenas de outras coisas..."

"... No espaço de um dia, você pode ser a bela ou a fera, a fartura ou a fome. A cada dia pode se transformar num paraíso ou num inferno. Você pode ser o espelho do meu sonho, um sorriso refletido na água. Também pode não ser o que parece ser dentro dessa sua 'concha'..."

"... Você sempre parece tão feliz na multidão, com os olhos tão pessoais ou tão orgulhosos... mas que não podem ser vistos quando choram..."

"... Pode ser o amor que não se espere que dure! Pode vir para mim como sombras do passado, que me lembrarei até o dia em que eu morrer. Você deve ser a razão para que eu sobreviva, o motivo de eu estar viva... de quem eu cuidarei na alegria e na tristeza. Eu acolherei o seu riso e suas lágrimas e os guardarei como minha peça mais rara! Por onde você for eu tenho que estar..."

Michelle Franco.

Quem é você?

Afinal, quem é você?

Não estou perguntando o que você é ou o que você faz. Quero saber o tem aí dentro que te transforma nessa pessoa? Quais são os seus pensamentos mais secretos, os desejos mais íntimos, as confissões mais devastadoras?

Não me interessa uma verdade inventada, mais apropriada, aquela do seu conto de fadas. Eu preciso da verdade, nua, ainda que doa, em você ou em mim.

Me acha invasiva? Talvez. Mas se revelar talvez seja o mínimo e a única coisa real que você poderia me oferecer. Você! Sem cautela, sem medo, sem pudor. Você por inteiro.

Você apareceu na minha vida por acaso e invadiu o meu destino, me impedindo de continuar sendo a mesma. Ok, a verdade é que fui eu quem apareceu na sua vida, sem pedir licença, você diria. Confesso!

Mas foi você quem se envolveu, quem fantasiou, quem se encantou. Sozinho! Ou talvez com a participação de algumas das personalidades que você deve manter para tornar sua vida possível, sem culpa!

Com que direito você resolve se confessar e tentar despertar sentimentos que você gostaria mas não pode retribuir? Pelo menos não da maneira correta de ser...

Com que direito você transfere a responsabilidade da escolha pra mim, que nem escolha tenho?

Por que me faz sonhar se você não pode me fazer tirar os pés do chão?

Você domina meus pensamentos, revira meus sentimentos, aguça os meus sentidos, me envolve com sutileza, me fascina com delicadezas, mas me obriga a viver numa realidade na qual você não pode nem deveria existir!

Talvez não possa te culpar, afinal, eu permiti! E, além disso, você é a maior vítima da sua ilusão.

Então me diz: como você pode achar justo querer me conhecer, me analisar e descobrir aquilo que nem eu mesma consigo saber de mim, se você mesmo não tem coragem de me mostrar toda a sua realidade!

Acho que nem quero mais nada disso, porque nada seria verdadeiramente suficiente.

E é por isso que eu garanto que de alguma forma eu vou apagar você de mim. Vai ser fácil, pois você nunca esteve realmente em mim. Mas eu sei que estive aí em você, e por muito tempo permanecerei, porque você precisa de mim para sonhar e se sentir vivo!



11 de jun. de 2009

Falando de sentimentos...

Por que é que justamente quando a gente quer ficar sozinha, com o coração em paz, é que aparece alguém que vai tirar nossos pés do chão?

E, como não poderia deixar de ser, por que é que quando você está carente, precisando de colo, aquela pessoa não aparece? Ou pior, aparece alguém que você não quer, alguém que não pode se comprometer porque já tem compromisso, ou aparece justamente aquele cara que vai te fazer sofrer e, mais uma vez, vai te fazer desejar ficar sozinha?

Essa parece ser a história da minha vida.

Não posso reclamar, pois já vivi duas histórias de amor tão sinceras, intensas e felizes que poderiam me preencher para o resto da vida. Tem gente que vai viver uma vida inteira sem experimentar nem metade de tudo isso o que eu senti.

Infelizmente, ou felizmente, não podemos viver apenas de memórias. É preciso o contato físico, o calor...

Mas, ainda assim, acabamos em algum momento optando pela solidão. Por quê?

Tem gente que vai discordar de mim dizendo que a opção não foi pela solidão, mas sim por um tempo sozinha. Mas tenho que admitir que nenhuma mulher é feliz sozinha. Você pode ter centenas de amigos, mas nunca será completa sem aquela pessoa especial. Você pode sair com uma pessoa diferente todas as noites, mas é tudo muito superficial. Onde está o companheirismo, a cumplicidade, o carinho, a paixão que nos envolve e nos motiva?

Ter alguém a quem amar é como tomar uma pílula diária que contém ingredientes mágicos. Você acorda mais feliz, releva mais as coisas, se encanta mais fácil, tem mais disposição, fica mais leve e feliz.

Claro que a vida a dois não é um mar de rosas, mas é melhor passar por problemas a dois do que passar por tudo sem ter ninguém. Viver uma vida a dois é bom até porque você tem alguém para brigar e fazer as pazes de uma forma mais especial do que com um amigo...

Mas, ainda assim, insistimos em ficar sozinhas.

Não que haja problema em dar um tempo, curtir um pouco, se recolher... esse tempo até é muito bem vindo e muita gente deveria experimentar. O problema é que, com o tempo, esse tempo passa a ser muito tempo.

E você já se acostumou! E você já alimentou o medo de se envolver novamente e sofrer mais uma vez.

Nas suas confissões mais secretas você revela que sente falta do amor, do turbilhão que é se apaixonar. Mas o medo acaba sendo maior.

Você também passa a ter uma certa vergonha de revelar que está cansada de ficar só e que não consegue arrumar uma boa companhia... Em bom português, você tem é vergonha de ser chamada de encalhada. Isso acaba ferindo lá no fundo, porque sabemos a razão de estarmos sozinhas...

De uma forma meio que natural, acabamos por nos enganar, dizendo para os outros e tentando nos convencer de que não queremos ninguém, que somos felizes assim, que namorado dá trabalho, que não temos paciência, que primeiro queremos nos estabilizar na carreira, etc., etc., etc.

São tantas desculpas para disfarçar a tristeza que nos acompanha. Tentamos nos mostrar fortes e, por isso, nos é cobrado cada vez mais força. Só que não a temos...

Às vezes nos mostramos indiferentes, bravas, auto-suficientes para espantar aqueles que possam nos fazer desmontar e nos entregarmos de cabeça. Ou, tentando provar que não é aquela pessoa fria que demonstrou ser, se envolve em relações vazias...

Uma hora as pessoas realmente se afastam. Ninguém quer ter por companhia uma pessoa fria e calculista sem sentimentos, que não deixa ninguém se aproximar, que não é amável.

Com isso, você também se afasta das pessoas, desesperada por ninguém te enxergar de verdade. Você acaba se afastando de você mesma, contrariando aquilo que é a sua essência. Nós mulheres nascemos com o dom de amar e de nos permitir ser amadas.

Mas um dia alguém te enxerga, bem no fundo da sua alma. Vê até o que você já não conseguia mais perceber. Desperta sentimentos que você já imaginava não sentir. Essa pessoa te diz tantas verdades que doem como um tapa na cara. Você se sente despida e frágil.

Você percebe o quanto perdeu sendo assim, mas não sabe mais como retomar o caminho.

Aceita se envolver com alguém sem realmente desejar, para ver se acaba dando certo, enganando essa pessoa e, principalmente, a você mesma! Não se força um sentimento! De repente você percebe que está fazendo com alguém aquilo que você mais teme que façam com você. Aí você quer voltar atrás. Mas já é tarde! Você pode ter magoado essa pessoa.

Frágil, você acaba se apoiando em pessoas erradas, aquelas que sabem bem tirar proveito dessa situação (conscientes ou não). Ou então, se isola novamente na sua bolha invisível.

E isso acaba se tornando um círculo vicioso e perigoso.

Mas como fazer para andar em linhas retas?

Ainda estou procurando essa resposta...

Enquanto isso, sigo tentando não completar este círculo.